O segredo do Monte - um poema para Monte Azul

                                                                                  Foto: Fábio Camelo

Vem de lá de trás do monte
Um vento que canta toda noite!
O monte é bem alto
E lá em cima tem uma fonte.

Todos que lá foram
Nunca mais voltaram cá prá baixo.
Por que será que todos que vão, ficam
E nunca mais os acho?

É o mistério do Vento,
Da Fonte e do Monte.

Então, fui lá no alto
E o vento cantou-me os seus segredos...

“Todos que aqui vêm diferentes voltam:
Aprendem os segredos do Vento do Monte;
Bebem da água da fonte
E vêem um Novo Horizonte!”

Ilustrando Amor para crianças

                                          Poema dedicado a Joaquim Barros e o desejo que este Amor seja alcançado e experimentado por nós e todas as crianças...


Amor é uma coisa que sai do coração...
Sai também da barriga,
do barro,
e da palma da mão.

Amor pode virar água que sai do olho!

É também bicho, árvore,
bugiganga, 
brincar de surfista e
engolir o tubarão!

Amor é um negócio que voa.
Mas não é periquito nem avião.
Também não tem endereço
e às vezes anda na contramão.

Amor vem sem rumo.
Mas se o vento sopra
ele acaba por chegar.

Amor vem de todo lugar.
E só tem um segredo
para Amor encontrar:
ter sempre Amor para dar.

Canção Maviosa




















Em madrugadas insones
Pouco a pouco
Construíram-se pontes
Entre seu olhar e o meu

Sua música abrigou-se
Em minha poesia
Meu sorriso fartou-se
Em sua candura

De seu inteiro intenso
Me fiz toda uma
De seu sopro vivo
Soei maviosa em prazer

Alma Roubada



Reajo à cidade com uma sensação de plenitude!
Não receio o olhar das pessoas,
nem os seus julgamentos.
Elas não parecem necessitar disso.
Aqui, minhas unhas não se puseram em vermelho
Não precisei pintar meus pés para a guerra...
não há nada contra o que lutar,
nada que eu precise desafiar,
nem preciso me impor.
As armas do povo desta terra
parecem ser sua gentileza,
sua voz mansa e terna.
Tive a alma gentilmente roubada
pela cidade e suas pedras...
Não me acho só ou  perdida,
meu fluido se encontra e se confunde
nas águas geladas e acolhedoras
de seus lagos e cachoeiras.
Rolo sem destino
por suas poucas ruas,
praças e jardins coloridos.
Nestes dias
Sou nascida desta terra
broto deste chão...
Feito Água
Feito Pedra
Deixo que Mucugê se aproprie de mim:
me possua com seu frio cortante
me encante com a luz dos mausoléus Bizantinos
me inebrie com o canto de seus pássaros
me ensine pelos velhos daqui
me derreta com o sorriso de suas crianças
me permita enxergar-me nos olhos de suas mulheres...
E traga-me de volta
E trague, de uma só vez,
o meu corpo
a minha LETRA.

Música Maestro!

 
Quero voltar ao ponto de origem de todas as coisas.
É lá que torno a perceber
a força que as coisas têm
quando estão destinadas a acontecer.

Como a incrível dança dos elétrons
durante as reações químicas:
encontros e desencontros se dão;
fatos se sucedem sem sentido aos nossos olhos,
que tantas vezes ‘exigem’ razões e justificativas.
Lágrimas!
Ó, quantas lágrimas derramadas
por força desta caótica e tão perfeita dança.

Pois então,
quero voltar ao ponto de origem de todas as coisas.
Que o meu destino, agora, seja o Sorrir!

“- Maestro, peço a gentileza de tocares esta moda:
sem sustos, na cadência do meu pulsar.
Que seja clara e calma esta moda, Sr. Maestro.
Clara, calma e feliz.”

A véspera



tropecei com olhares calmos e inocentes
cruzei com almas cheias de esperança
e o desejo destes me enterneceu

a ansiedade pelo amanhã
a coragem diante do risco.
Por estes, desvelei o meu amor

Em cada um deles,
um pouco de mim.
Em mim,
todas as possibilidades!

Virei água e bebi você


Acho que virei água e bebi você:
Virei rio de fluidez. Virei água!
Adentrei feito cachoeira mansa...
pra fruir devagar em suas terras
Enquanto germinas meu solo,
meu colo, meu ventre, meu eu.